O melhor do passado ficou por lá ?

Minha mãe sempre diz que eu tenho “espírito de velha”. Ok, confesso que existe em mim um saudosismo latente com relação a alguns hábitos, modos e vestimentas do passado … Quando falamos em casamento por exemplo, vemos a enorme quantidade de hábitos e regras que se perderam, para abrir caminho às soluções criativas e inovadoras que nos encantam hoje em dia. Mas por que somar de um lado e reduzir do outro ?

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Pode ser que somente eu, com este meu espírito “antiguinho” perceba isso, mas já reparou como o cronograma dos casamentos está cada vez mais acelerado ? Comecemos com a entrega dos convites : eles vão pelos Correios ou por e-mail. O jantar de noivado está cada vez mais raro. Pedir a mão da noiva ao pai, ou pessoa “responsável”, nem se fala ! Pra quê ?! Os noivos decidem, os noivos pagam, os noivos aceitam a mão um do outro. Vamos escolher as alianças juntos ? Ninguém quer ter surpresa desagradável ! Casar custa caro. Muito caro. Então vamos fazer um chá bar, que já reduz o orçamento sem o chá de panela, lingerie e despedida de solteiro dos dois lados. Enxoval a gente escolhe pela internet, vai clicando. Não se perde mais tempo indo às lojas para admirar, “sentir”os objetos nas mãos, imaginar todos eles na sua casa. Marca e pronto, fecha a lista. Pede mais de um item de cada coisa, hein ?! Depois a gente troca por dinheiro (crédito). Padrinhos e madrinhas mal sabem das escolhas para o grande dia ! Estejam lá na hora, com a roupa escolhida para não enfear o altar e provem sua amizade. E se forem amigos especiais, que participem do making of ! Saída dos noivos. Você viu ?! Alguém deu tchau ? Os convidados têm hora, compromisso no dia seguinte e foram embora antes da festa terminar. E não precisa importunar os noivos na pista de dança com despedidas, vai sair na foto e fica feio. Nesse casamento não deram havaianas ?! Que horror ! “Eu escolhi esse sapato só porque combinava, está um desconforto ! Não vou nem poder dançar !”.

Eu tenho saudades de um tempo que eu não vivi. Por isso meus convites foram entregues em mãos, eu cumprimentei a todos na chegada e na saída, me preocupei em saber se todos estavam sendo bem servidos e se estavam tendo uma noite agradável. Minha lista foi feita na loja e eu sugeria aos que me perguntavam o que eu queria “meu presente será você, na minha celebração; não deixe de ir”. Talvez por isso eu tenha contabilizado 9 (nove) faltas somente. E olha que a data caiu no meio de um feriado de quatro dias, e teve final do Flamengo na hora do casamento !! rs Os (poucos) meses que se antecederam a data  foram de  longas conversas a noite – como eu gosto, entre os amigos padrinhos, dividindo o que estava sendo sonhado para todos.

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Queria mesmo era ter casado na época em que se falava na Igreja “alguém dos presentes é contrário a esta união ? Que fale agora ou cale-se para sempre”. E sentia-se aquela expectativa boba no ar … Quando todos os convidados iam para a porta ver o casal partir. E a noiva trocava de roupa, porque os noivos iam direto para a lua de mel, cansados, mas felizes. Onde o carro estava sempre enfeitado com frases carinhosas e engraçadas, e cheio de latinhas barulhentas penduradas – uma “lembrança” dos padrinhos e familiares, que em algum momento onde os noivos não perceberam deram uma escapulida da recepção. Em um tempo onde havia “drama” e lágrimas na despedida entre pais e filhos, como se eles nunca mais fossem se ver.

Sim, eu tenho “espírito de velha” … e sei que nem todas estas coisas podem ser feitas atualmente, porque a moda é outra e a tendência seguiu mais rápido. Muita coisa pra melhor, sim ! Liberdade para criar e ousar, que nunca será demais. Mas sempre irei sugerir as minhas noivas que resgatem algo do passado, algo que se perdeu, e que para elas continua sendo um hábito especial…

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(Ainda bem que me restou o arroz !! rs)

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