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O pedido que (por vezes) define a história…

Eu acredito verdadeiramente que um relacionamento é feito de memórias. Pequenas coisas que vão se acumulando com o passar dos dias e nos fazem não querer desistir de ser parte atuante de dois – e não coadjuvantes de uma relação “minha vida + a sua”. São os pequenos gestos, palavras e/ou atitudes que se fixam dentro da gente de maneira tão profunda que impedem que, em momentos de diferenças entre o casal o todo se perca, sabe?!

Para a grande maioria das mulheres, o pedido de casamento é um destes (raros) momentos que podem ter influência no sucesso de uma história de amor. Afinal, que mulher não contempla o mínimo que seja de romance para uma (longa) vida a dois? Se você, caro leitor do sexo masculino está por aqui saiba que este é O (com letra maiúscula!!) momento para se demonstrar o quanto você conhece a mulher que está ao seu lado…

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Um pedido meloso, dramático e “chamativo” para uma mulher extremamente desligada ou tímida acabaria mais em desconforto do que felicidade, como também não seria nada interessante para uma mulher extremamente romântica que a compra do seu anel de noivado fosse corriqueira, como quem vai ao shopping e compra um relógio. Para ela, mais importante do que a “caixinha azul”, preta, branca ou vermelha é o “enredo”.

Certa vez, em meio a um jantar entre amigos queridos começamos a divagar sobre isso: relacionamentos, noivado, … e foi colocado a mesa (a grosso modo) que as mulheres poderiam ser “divididas” em “segurança ou emoção”. De um lado, a mulher que somente a segurança de uma aliança na mão, um papel assinado no Cartório ou uma data agendada seriam suficientes, e do outro  (alô, olha eu aqui!) as mulheres em que as formalidades seriam somente isso: formalidades…

O que este “segundo grupo” deseja mesmo é surpresa, lágrimas, emoção, criatividade, interesse genuíno, demonstração de afeto aliada ao conhecimento da alma de quem você diz que ama. Too much? Acho que não. Fato é que continuaremos a nos surpreender com o nosso companheiro(a) ao longo dos anos: ele muda, a gente muda, a vida muda! Mas, como “começar a vida” ao lado de alguém que está tão distante dos seus sonhos, das suas expectativas de “felicidade”? Amar requer também um pouco de esforço: de comover o coração do outro.

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Pode ser no lugar onde vocês trocaram o primeiro beijo, em algum lugar  importante para a história do casal, no carro a caminho da viagem dos sonhos ou debaixo da água; em um passeio de mãos dadas ou durante um passeio de helicóptero; sentados na praia admirando a lua ou ao acordar – na cama que já é de vocês dois. Debaixo da Torre Eiffel, dentro da Tiffany ou do avião – não importa. Para mim, já bastaria o clichê de se fazer ajoelhado – não por submissão, mas por amor.

E “o pedido” já não é por si só um ato nobre, de cavalheirismo?!

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Fatores como disponibilidade, dinheiro e local onde se mora certamente têm o poder de retardar a grande proposta, então aqui fica a minha (humilde) dica: repare e valorize a pessoa que está todos os dias ao seu lado. Não deixe que a pressa, a insegurança ou as dificuldades da vida atinjam este momento que deve ser inesquecível. Timing é realmente um dom, uma habilidade mas às vezes precisamos sim permitir que os dias corram mais lentos e o tempo faça a sua mágica para que o “começo” seja tão encantado quanto a futura convivência em si…

No fundo, toda mulher deseja um pedido “de cinema”: daqueles que arrancam lágrimas em meio ao brilho dos olhos, que nos fazem ter vontade de congelar a cena (para que nem o in-ter-va-lo-da-res-pi-ra-ção se perca), e que sejam maiores, beeem maiores do que tudo em volta. Se a dois ou com uma multidão observando depende de você, do que você “descobriu” sobre ela. Mas que seja digno de ser acompanhado por uma orquestra mental de fogos de artifício e de ser contado para os netos!

Caso você  precise de um pouco de inspiração vale ter paciência e checar este vídeo… e se você acredita que “aquela” pessoa especial necessita de um empurrãozinho no quesito criatividade envia por e-mail … vai que, né ?! rs

Agora, se AINDA ASSIM (!!!) não surtir efeito faça como eu: fale (em momento oportuno, hein?! rs) que se ele não tiver dinheiro suficiente para o diamante, que serve um Manolo Blahnik colocado delicadamente no seu pé – com ele ajoelhado – acompanhado de uma frase impactante de amor e um olhar a la Mr. Big! Negócio fechado?! rs

Justin and Emily: The Proposal

O melhor do passado ficou por lá ?

Minha mãe sempre diz que eu tenho “espírito de velha”. Ok, confesso que existe em mim um saudosismo latente com relação a alguns hábitos, modos e vestimentas do passado … Quando falamos em casamento por exemplo, vemos a enorme quantidade de hábitos e regras que se perderam, para abrir caminho às soluções criativas e inovadoras que nos encantam hoje em dia. Mas por que somar de um lado e reduzir do outro ?

blog Manu Gonçalez casamento tradicional 03

Pode ser que somente eu, com este meu espírito “antiguinho” perceba isso, mas já reparou como o cronograma dos casamentos está cada vez mais acelerado ? Comecemos com a entrega dos convites : eles vão pelos Correios ou por e-mail. O jantar de noivado está cada vez mais raro. Pedir a mão da noiva ao pai, ou pessoa “responsável”, nem se fala ! Pra quê ?! Os noivos decidem, os noivos pagam, os noivos aceitam a mão um do outro. Vamos escolher as alianças juntos ? Ninguém quer ter surpresa desagradável ! Casar custa caro. Muito caro. Então vamos fazer um chá bar, que já reduz o orçamento sem o chá de panela, lingerie e despedida de solteiro dos dois lados. Enxoval a gente escolhe pela internet, vai clicando. Não se perde mais tempo indo às lojas para admirar, “sentir”os objetos nas mãos, imaginar todos eles na sua casa. Marca e pronto, fecha a lista. Pede mais de um item de cada coisa, hein ?! Depois a gente troca por dinheiro (crédito). Padrinhos e madrinhas mal sabem das escolhas para o grande dia ! Estejam lá na hora, com a roupa escolhida para não enfear o altar e provem sua amizade. E se forem amigos especiais, que participem do making of ! Saída dos noivos. Você viu ?! Alguém deu tchau ? Os convidados têm hora, compromisso no dia seguinte e foram embora antes da festa terminar. E não precisa importunar os noivos na pista de dança com despedidas, vai sair na foto e fica feio. Nesse casamento não deram havaianas ?! Que horror ! “Eu escolhi esse sapato só porque combinava, está um desconforto ! Não vou nem poder dançar !”.

Eu tenho saudades de um tempo que eu não vivi. Por isso meus convites foram entregues em mãos, eu cumprimentei a todos na chegada e na saída, me preocupei em saber se todos estavam sendo bem servidos e se estavam tendo uma noite agradável. Minha lista foi feita na loja e eu sugeria aos que me perguntavam o que eu queria “meu presente será você, na minha celebração; não deixe de ir”. Talvez por isso eu tenha contabilizado 9 (nove) faltas somente. E olha que a data caiu no meio de um feriado de quatro dias, e teve final do Flamengo na hora do casamento !! rs Os (poucos) meses que se antecederam a data  foram de  longas conversas a noite – como eu gosto, entre os amigos padrinhos, dividindo o que estava sendo sonhado para todos.

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Queria mesmo era ter casado na época em que se falava na Igreja “alguém dos presentes é contrário a esta união ? Que fale agora ou cale-se para sempre”. E sentia-se aquela expectativa boba no ar … Quando todos os convidados iam para a porta ver o casal partir. E a noiva trocava de roupa, porque os noivos iam direto para a lua de mel, cansados, mas felizes. Onde o carro estava sempre enfeitado com frases carinhosas e engraçadas, e cheio de latinhas barulhentas penduradas – uma “lembrança” dos padrinhos e familiares, que em algum momento onde os noivos não perceberam deram uma escapulida da recepção. Em um tempo onde havia “drama” e lágrimas na despedida entre pais e filhos, como se eles nunca mais fossem se ver.

Sim, eu tenho “espírito de velha” … e sei que nem todas estas coisas podem ser feitas atualmente, porque a moda é outra e a tendência seguiu mais rápido. Muita coisa pra melhor, sim ! Liberdade para criar e ousar, que nunca será demais. Mas sempre irei sugerir as minhas noivas que resgatem algo do passado, algo que se perdeu, e que para elas continua sendo um hábito especial…

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(Ainda bem que me restou o arroz !! rs)

blog Manu Gonçalez casamento tradicional 02 chuva de arroz

Lapelas diferentes, noivos sensíveis

Eu amo cinema, quem me conhece sabe … e quem não me conhece tão bem, também ! rs Hoje pensando no texto sobre lapelas lembrei do poema lido por Cameron Diaz no filme “In her shoes”, de Tony Scott, ou  “Em seu lugar” aqui no Brasil. O poema é do poeta E. E. Cummings e traduzido significa “Eu levo o seu coração comigo”.

“eu levo o seu coração comigo (eu o levo no 
meu coração) eu nunca estou sem ele (a qualquer lugar 
que eu vá, meu bem, e o que que quer que seja feito 
por mim somente é o que você faria, minha querida) / tenho medo / que a minha sina (pois você é a minha sina, minha doçura) eu não quero
 nenhum mundo (pois bonita você é meu mundo, minha verdade) 
e é você que é o que quer que seja o que a lua signifique
 e você é qualquer coisa que um sol vai sempre cantar / aqui está o mais profundo segredo que ninguém sabe 
(aqui é a raiz da raiz e o botão do botão 
e o céu do céu de uma árvore chamada vida, que cresce 
mais alto do que a alma possa esperar ou a mente possa esconder) 
e isso é a maravilha que está mantendo as estrelas distantes / eu levo o seu coração (eu o levo no meu coração).”

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O uso da lapela (ou boutonnière) surgiu no século XIX , quando o príncipe Albert em seu casamento com a rainha Vitória fez um pequeno corte no paletó, para guardar o ramalhete de flores que recebeu dela. A finalidade era sempre lembrar da sua amada ao sentir o aroma das flores. Muitos esquecem ou não sabem que o surgimento da mesma deu-se por amor e romantismo.

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Lapelas diferentes, noivos sensíveis. Por mais que o noivo esteja usando algo original a pedido da noiva, já parta do princípio de que ele ACEITOU usá-lo, e com isto demonstra o desejo também de contar a sua história, de ser parte do todo, ou até de se mostrar como figura importante naquele casamento. São sensíveis sim porque mostram paixão ! Seja na homenagem a um ente querido que se foi, seja ao prender um coração pra dizer que ele bate forte por aquela bela mulher que desliza até ele, ou, uma chave demonstrando que só ele tem o caminho para o coração dela; seja simplesmente pra “contar” aos seus convidados que ele tem um hobby : música, fotografia, basquete … e todo hobby não é uma paixão ?!

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Fato é que os noivos já não são mais acompanhantes da figura principal noiva, eles ganharam seu lugar ao sol, no altar ! E mostram a que vieram: pra encantar a noiva e aos seus convidados, pra homenagear um amor. Noivos sensíveis usam lapelas diferentes. Eles as carregam, e aos seus amores, perto do coração …  “eu levo o seu coração comigo …“.